MERCADOS SOLIDÁRIOS

 

Veja Também:
• Cartaz, exemplo (.jpg)
• Panfleto (.pdf)

Mercado da Granja (www)

É uma ferramenta económica não-capitalista em escala de proximidade.1

Desde os anos 80 do século XX que esta ferramenta tem vindo a ser utilizada por comunidades do Mundo inteiro como forma de responder às dificuldades económicas das populações e/ou gerar alternativas mais justas e solidárias de troca de produtos, serviços e bens.

Hoje os Mercados Solidários transformaram-se numa realidade planetária que se realiza nos mais diversos locais e territórios (urbanos, rurais, isolados ou centrais) com instrumentos relativamente simples. Há cidades onde a Moeda Local já existe em suporte electrónico, está disponível nos ATM e permite trocar produtos por impostos locais, por exemplo.

Em Portugal os Mercados Sociais têm vindo a realizar-se regularmente desde há três anos em duas comunidades: Granja do Ulmeiro, Coimbra e S. Brás de Alportel, Faro.2

Os Mercados Solidários, enquanto ferramenta de intervenção sócio-económica configuram-se em redes locais que articulam diversos instrumentos económicos, sociais e educativos numa lógica territorializada tais como: banco do tempo, cooperativas locais, redes de voluntariado, mutualidades, sistemas de educação não-formal e formação das pessoas adultas, mercearias sociais, entre outros.

 

Um Mercado Solidário é uma rede que permite:

1- trocas de valor distinto, em distintos momentos e entre pessoas distintas;
2- a inexistência de juros e acumulação de capital
3- a emissão não centralizada e democrática da Moeda Local/Moeda Social
4- basear as relações pessoais e económicas na confiança, e na solidariedade não só entre pessoas amigas e conhecidas mas entre todas e todos que nele queiram participar
5- o acesso a todas e a todos sem distinção
6- a democratização densa da comunidade, a solidariedade, a regeneração do tecido social, a auto-estima, a auto-gestão e a possibilidade de ter acesso a um conjunto de produtos, bens e serviços que estão vedados a muitas/os pela economia capitalista
7- a satisfação das necessidades locais em função do sucesso da rede
8- pensar a economia e as relações de produção comerciais de maneira solidária distinguindo entre preço (traduzido em dinheiro) e valor (traduzido no significado e relevância social local)
9- pensar o desenvolvimento e aprendizagem ao longo da vida a partir da dialogicidade entre a democracia, a justiça social e o conhecimento
10- o consumo seja ético, favorecendo a reciclagem e a utilização dos recursos locais e tendo em conta que, no actual estado de concentração da riqueza, cada acto de consumo é um acto político que promove um dos dois modelos de economia: ou concentra ou redistribui a riqueza.

 

A Moeda Local ou Moeda Social

As principais diferenças entre o Dinheiro e a Moeda Local que se usa nos Mercados Solidários são:

a) Não tem juros. Todas e todos têm igual acesso a ela. Não faz sentido a acumulação nem a especulação;
b) Não é escassa. Pode ser emitida em quantidade quando necessário e por decisão democrática da rede local;
c) Não é emitida por uma entidade alheia à comunidade mas sim da sua inteira responsabilidade;
d) Permanece nas comunidades onde é emitida e portanto impossível de ser deslocalizada e com isso a riqueza permanece no território;
e) É apenas um instrumento de mediação e não um bem com que se comercializa;

 

Requisitos para participar em um qualquer Mercado Solidário:

- Estar motivada/o aprender a partir de outro paradigma sócio-económico;
- Estar aberta/o a mudanças de perspectiva sobre a economia e a sociedade;
- Ser uma/um prossumidora/or, ou seja, só consome quem produz. Para ter acesso à Moeda Local e ao Mercado Social é preciso contribuir activa e, concretamente, com produtos, bens ou serviços providenciados por si mesma/o;
- Saber distinguir entre preço e valor dos produtos, bens e serviços presentes no Mercado;
- Estar atenta/o às suas necessidades mas também às necessidades da comunidade;

 

Se quiser saber mais sobre Mercados Sociais, Clubes de Troca e Moedas Locais/Sociais pode explorar as seguintes recursos:
(Se encontrar mais e melhores, ficarei grata se quiser partilhá-los comigo)

- Costa, Dídac Sanchez [s.d.], Como Criar uma Rede de Trocas em sua Comunidade. Mimeo.
- Ferrarini, Adriane Vieira [s.d.], Clube de troca com moeda social: Uma alternativa para construir relações solidárias e estimular o fluxo econômico local em comunidades de baixa renda. Mimeo.
- Primavera, Heloísa (2004), Participación ciudadana y nuevas redes sociales. (www)
(acedido em 17 de Setembro de 2007)
- Primavera, Heloísa (2005), Economia de los Quijotes. (www)
(acedido em 17 de Setembro de 2007)
- Soares, Maria Priscila (2007), Animação Cidadã Para a Acção Solidária. S. Brás de Alportel: In Loco.

 

LINKS:
• In Loco (www)
• Movimento Monetário Mosaico (www)
• Lets (www)
• Inaise (www)
• The Global Development Research Center - Microcredit (www)
• Rede Solidária (www)
• Transaction (www)
• Formater (www)
• CIARIS (www)
• Mondragón (www)
• INDE (www)
• Socio Eco (www)
• UNESCO - The Courier (www)
• Avaliação Participiva (www)
• Heloisa Primavera (www)

 

1 Agradeço desde já as palavras que tomei emprestada a Priscila e a Dídac para escrever esta curta apresentação sobre o Mercado Solidário.
2 Os últimos Mercados Solidários tiveram lugar em S. Brás no dia 30 de Setembro e na Granja do Ulmeiro no dia 21 de Outubro de 2007.

 

Teresa Cunha
Outubro de 2007

 
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